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História · Israel · Lugares

A História de Jerusalém, Parte 2: A Jerusalém dos Cananeus

Na primeira parte desta série, vimos como Jerusalém se tornou uma das cidades mais importantes da História da humanidade. Mas antes de ser a cidade do rei David, antes do Templo e antes mesmo da formação do antigo reino de Israel, Jerusalém já possuía uma longa história.

Quando pensamos em Jerusalém, é comum associá-la imediatamente aos episódios bíblicos ligados a David, Salomão ou aos profetas. No entanto, a cidade era já um povoado antigo quando David a conquistou por volta do século X a.C.

Uma pequena fortaleza entre montanhas

Ao contrário do que muitos imaginam, Jerusalém não nasceu como uma grande cidade. Situada nas montanhas da Judeia, longe das principais rotas comerciais da Antiguidade, era inicialmente uma pequena fortaleza construída numa posição defensiva privilegiada.

Embora o território de Canaã estivesse localizado entre o Egito e os grandes impérios do Oriente, funcionando como uma importante zona de passagem, Jerusalém encontrava-se relativamente isolada. Rodeada por colinas, desfiladeiros e terrenos rochosos, oferecia, contudo, algo muito valioso: segurança.

Além da proteção natural proporcionada pelas montanhas, existia uma fonte de água essencial para a sobrevivência dos seus habitantes: a Fonte de Giom. Durante milhares de anos, esta nascente seria um dos elementos fundamentais para o desenvolvimento da cidade.

Os primeiros habitantes

As evidências arqueológicas indicam que pessoas já viviam na região de Jerusalém há cerca de sete mil anos. Durante a Idade do Bronze, começou a surgir um pequeno povoado fortificado próximo da Fonte de Giom.

Por volta de 1900 a.C., documentos egípcios fazem referência a uma cidade chamada Ursalim ou Salem, um dos nomes mais antigos associados a Jerusalém. Alguns investigadores acreditam que o nome poderá estar relacionado com Shalem, uma divindade cananeia ligada à estrela da tarde e à ideia de paz.

Nessa época, os habitantes de Jerusalém pertenciam ao povo cananeu, que dominava grande parte da região. Foram eles que construíram algumas das primeiras obras defensivas da cidade, incluindo muralhas, torres e sistemas de proteção da fonte de água.

Jerusalém sob influência egípcia

Durante vários séculos, Canaã esteve sob forte influência do Egito. Os governantes locais prestavam obediência aos faraós e dependiam frequentemente da sua proteção.

Um dos primeiros governantes de Jerusalém de que temos conhecimento chamava-se Abdi-Hepa. No século XIV a.C., enviou várias cartas ao faraó Akhenaton pedindo auxílio militar contra povos inimigos e grupos de saqueadores que ameaçavam o seu pequeno reino.

Estas cartas, descobertas no século XIX em Tell el-Amarna, no Egito, constituem alguns dos mais antigos testemunhos escritos relacionados com Jerusalém. Graças a elas sabemos que a cidade já possuía uma importância estratégica e política muito antes da época bíblica.

Os jebuseus e a cidade de Sião

Em algum momento do século XIII a.C., Jerusalém passou para o controlo dos jebuseus, um povo mencionado na Bíblia. Foram eles que ocuparam a fortaleza conhecida como Sião, que viria mais tarde a ser conquistada por David.

A cidade permanecia relativamente pequena, mas as suas muralhas, os seus terraços e as suas estruturas defensivas tornavam-na um local difícil de conquistar. Essa posição estratégica ajudou a garantir a sua sobrevivência durante períodos de grande instabilidade.

O aparecimento dos israelitas

Enquanto Jerusalém continuava sob domínio cananeu e jebuseu, um novo povo começava a afirmar-se na região: os israelitas.

Segundo a tradição bíblica, os israelitas descendiam dos patriarcas Abraão, Isaac e Jacob. As suas histórias foram preservadas nos textos que mais tarde formariam a Bíblia Hebraica.

A figura de Abraão ocupa um lugar central nesta tradição. A Bíblia relata a sua chegada à terra de Canaã e associa Jerusalém a episódios importantes da sua vida, incluindo o encontro com Melquisedeque, rei-sacerdote de Salém, e o episódio do Monte Moriá, tradicionalmente identificado com o local onde mais tarde seria construído o Templo de Jerusalém.

Mais tarde, a narrativa bíblica descreve a escravidão dos israelitas no Egito, a liderança de Moisés, o Êxodo e a revelação dos Dez Mandamentos. Embora muitos destes acontecimentos continuem a ser objeto de debate entre historiadores e arqueólogos, estas tradições tornaram-se fundamentais para a identidade do povo de Israel.

Às portas de Jerusalém

Após séculos de formação da identidade israelita, os israelitas estabeleceram-se progressivamente em Canaã. Jerusalém, contudo, permanecia fora do seu controlo.

A antiga fortaleza jebuseia de Sião continuava de pé, protegida pelas suas muralhas e pela sua posição defensiva. Mas a sua história estava prestes a mudar.

Em breve surgiria uma das figuras mais importantes da História bíblica: David. A sua conquista de Jerusalém transformaria uma pequena cidade fortificada na capital de um reino e, mais tarde, num dos lugares mais influentes da História da humanidade.

A história de Jerusalém continua. No próximo capítulo, iremos conhecer David, o pastor que se tornou rei, e descobrir como a conquista de Jerusalém mudou para sempre o destino da cidade.

Referencias Bibliográficas:

Montefiore, S. S. (2011). Jerusalém: A biografia (B. Vargas & G. Schlesinger, Trads.). Companhia das Letras.

Jewish Bubba: Jerusalem in Judah’s Judean Hills of Judea, Plains and It’s History
https://cityofdavid.org.il/
https://cityofdavid.org.il/ – The City of David in Jerusalem. Israel. The entrance to the Spring of Gichon, the main natural water source of the City of David and the City of Jerusalem in old days.
https://cityofdavid.org.il/
https://www.thebiblejourney.org/
https://www.biblicalarchaeology.org/
https://cityofdavid.org.il/

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