Castro de Monte Mozinho: Das colinas fortificadas à “Cidade Morta” do Vale do Sousa

Antes de falar especificamente do Castro de Monte Mozinho, é importante perceber o que são os castros e porque surgiram, quase sempre, no topo de colinas e montes.

Os castros eram povoados fortificados da Idade do Ferro, característicos do Noroeste da Península Ibérica. A escolha das elevações não era aleatória. As colinas ofereciam vantagens defensivas naturais, permitindo vigiar o território envolvente, controlar caminhos e antecipar ataques. Além disso, estas localizações facilitavam a proteção das comunidades, dos seus bens e dos recursos agrícolas, ao mesmo tempo que simbolizavam poder e domínio sobre a paisagem.

Com o passar do tempo, muitos destes castros evoluíram. A partir do século I a.C., com a chegada dos Romanos, alguns deixaram de ser simples povoados fortificados para se transformarem em núcleos urbanos complexos, integrados na nova organização política e económica do Império. O Castro de Monte Mozinho é um dos melhores exemplos dessa evolução.

Situado no concelho de Penafiel, no alto do Monte Mozinho, este sítio arqueológico é frequentemente designado por “Cidade Morta”, não pela ausência de vida no passado, mas precisamente pelo contrário: pela impressionante dimensão e densidade de ocupação que hoje se encontra em ruínas. Trata-se de um dos maiores povoados castrejos conhecidos em Portugal e em toda a Península Ibérica.

Monte Mozinho conheceu uma ocupação contínua desde a Idade do Ferro, atingindo o seu auge entre os séculos I e II d.C., já em plena época romana. As escavações arqueológicas revelaram um traçado urbano notável, com ruas organizadas, praças, sistemas defensivos, habitações circulares e, mais tarde, casas de planta retangular, refletindo a progressiva romanização das populações locais.

Os achados arqueológicos, como cerâmica, moedas, utensílios domésticos e elementos arquitetónicos, demonstram uma comunidade dinâmica, com contactos comerciais, práticas agrícolas desenvolvidas e uma vida quotidiana intensa. A localização estratégica permitia ainda o controlo visual de uma vasta área do vale do Sousa, reforçando o seu papel central na região.

Visitei recentemente o Castro de Monte Mozinho e, mesmo sem grandes reconstruções ou encenações, o local impressiona. Caminhar entre as ruínas, percorrer antigas ruas de pedra e observar a extensão do povoado ajuda a perceber a escala desta antiga comunidade e a importância que teve no passado. É um espaço que convida à contemplação, à reflexão histórica e ao contacto direto com uma herança milenar.

Hoje, integrado em roteiros culturais e patrimoniais, o Castro de Monte Mozinho é um testemunho fundamental para compreender as sociedades indígenas do Noroeste peninsular e a profunda transformação trazida pela romanização. Uma visita que vale pela paisagem, pela história e pela consciência do tempo longo que moldou este território.

Este é apenas um dos muitos lugares onde a história se cruza com a paisagem e com a memória coletiva. No blog Espaço de Maria continuo a partilhar visitas, reflexões e textos dedicados à história, cultura e património, sempre com o olhar atento de quem gosta de compreender os lugares para além do que é visível à primeira vista. Explorem outros artigos aqui no blog e a acompanhar também o canal de YouTube Espaço de Maria, onde estes temas ganham forma em vídeo, imagens e narrativas acessíveis a todos.

Fica igualmente o convite para visitar o Castro de Monte Mozinho. Caminhar pelas suas ruas antigas, observar as ruínas no topo do monte e imaginar a vida que ali existiu é uma experiência única, que ajuda a compreender melhor as raízes do nosso território e das comunidades que o habitaram. É um lugar que merece ser visto com tempo, curiosidade e respeito, porque a história também se descobre passo a passo, no silêncio das pedras e na paisagem que as envolve.

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