Entenda (de uma vez) o que aconteceu no dia 5 de Outubro

Cartaz homenageando os deputados do Partido Republicano eleitos nas legislativas de 1908. Figuram os seus retratos de Afonso Costa, João de Menezes, Alexandre Braga, António José de Almeida, Estêvão de Vasconcelos, Feio Terenas e Brito Camacho, com indicação do círculo eleitoral que os elegeu. Em legenda: «Homenagem aos Deputados eleitos pelo Povo em 5 Abril de 1908». Fonte: Fundação Mário Soares.

No dia 5 de outubro de 1910, Portugal acordou diferente. Às nove da manhã, José Relvas subiu à varanda da Câmara Municipal de Lisboa e proclamou a República Portuguesa, pondo fim a 767 anos de monarquia. Era o início da Primeira República, um período de esperanças e mudanças, mas também de muita instabilidade.

Mas o que levou a este momento decisivo?

O caminho até à República foi longo e cheio de crises. No final do século XIX, o país vivia tempos difíceis. A economia estava frágil, o descontentamento popular aumentava e o sistema político parecia esgotado. O poder alternava entre dois partidos, o Regenerador e o Progressista, que se revezavam no governo, sempre fiéis ao rei. Para muitos portugueses, nada mudava de verdade.

Foi neste cenário que surgiu o Partido Republicano Português, fundado em 1883, inspirado nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa. Os republicanos acreditavam que apenas um novo regime, livre da influência da monarquia e da Igreja, poderia modernizar o país.

A crise agravou-se com o Ultimato Inglês de 1890, quando a Grã-Bretanha obrigou Portugal a abandonar o projeto colonial que ligava Angola a Moçambique. O povo sentiu-se humilhado, e o rei D. Carlos perdeu prestígio. A revolta cresceu e, em 1908, o país foi abalado pelo regicídio: o rei e o príncipe herdeiro foram assassinados em plena Praça do Comércio. O jovem D. Manuel II subiu ao trono, mas já não havia como travar a maré republicana.

Na madrugada de 3 para 4 de outubro de 1910, eclodiu a revolta em Lisboa. Militares e civis republicanos tomaram posições e, após dois dias de tensão, a monarquia ruiu. D. Manuel II refugiou-se em Mafra e partiu depois para o exílio. Na manhã de 5 de outubro, José Relvas proclamou a República da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa.

O novo regime trouxe mudanças profundas: um governo provisório chefiado por Teófilo Braga assumiu o poder, foram criados novos símbolos nacionais, como a bandeira verde e vermelha e o hino “A Portuguesa”, e aprovou-se uma nova Constituição em 1911. A separação entre Igreja e Estado marcou também o início de um país mais laico e moderno.

Apesar da esperança que simbolizou, a Primeira República não teve vida fácil. As divisões políticas e a instabilidade levaram a sucessivas quedas de governo, até ao golpe militar de 1926, que abriu caminho ao Estado Novo.

Ainda assim, o 5 de outubro continua a representar o momento em que Portugal se reinventou, trocando a coroa por um ideal de liberdade, cidadania e progresso.

Referências:

National Geographic Portugal. (2023, 5 de outubro). 5 de Outubro de 1910: que eventos levaram à queda da monarquia?

Missão Portugal. (n.d.). História de Portugal. Em União Europeia – Missão Portugal.

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