
No dia 5 de outubro de 1910, Portugal acordou diferente. Às nove da manhã, José Relvas subiu à varanda da Câmara Municipal de Lisboa e proclamou a República Portuguesa, pondo fim a 767 anos de monarquia. Era o início da Primeira República, um período de esperanças e mudanças, mas também de muita instabilidade.
Mas o que levou a este momento decisivo?
O caminho até à República foi longo e cheio de crises. No final do século XIX, o país vivia tempos difíceis. A economia estava frágil, o descontentamento popular aumentava e o sistema político parecia esgotado. O poder alternava entre dois partidos, o Regenerador e o Progressista, que se revezavam no governo, sempre fiéis ao rei. Para muitos portugueses, nada mudava de verdade.
Foi neste cenário que surgiu o Partido Republicano Português, fundado em 1883, inspirado nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa. Os republicanos acreditavam que apenas um novo regime, livre da influência da monarquia e da Igreja, poderia modernizar o país.
A crise agravou-se com o Ultimato Inglês de 1890, quando a Grã-Bretanha obrigou Portugal a abandonar o projeto colonial que ligava Angola a Moçambique. O povo sentiu-se humilhado, e o rei D. Carlos perdeu prestígio. A revolta cresceu e, em 1908, o país foi abalado pelo regicídio: o rei e o príncipe herdeiro foram assassinados em plena Praça do Comércio. O jovem D. Manuel II subiu ao trono, mas já não havia como travar a maré republicana.
Na madrugada de 3 para 4 de outubro de 1910, eclodiu a revolta em Lisboa. Militares e civis republicanos tomaram posições e, após dois dias de tensão, a monarquia ruiu. D. Manuel II refugiou-se em Mafra e partiu depois para o exílio. Na manhã de 5 de outubro, José Relvas proclamou a República da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa.
O novo regime trouxe mudanças profundas: um governo provisório chefiado por Teófilo Braga assumiu o poder, foram criados novos símbolos nacionais, como a bandeira verde e vermelha e o hino “A Portuguesa”, e aprovou-se uma nova Constituição em 1911. A separação entre Igreja e Estado marcou também o início de um país mais laico e moderno.
Apesar da esperança que simbolizou, a Primeira República não teve vida fácil. As divisões políticas e a instabilidade levaram a sucessivas quedas de governo, até ao golpe militar de 1926, que abriu caminho ao Estado Novo.
Ainda assim, o 5 de outubro continua a representar o momento em que Portugal se reinventou, trocando a coroa por um ideal de liberdade, cidadania e progresso.
Referências:
National Geographic Portugal. (2023, 5 de outubro). 5 de Outubro de 1910: que eventos levaram à queda da monarquia?
Missão Portugal. (n.d.). História de Portugal. Em União Europeia – Missão Portugal.

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